Não espere em Deus!
Nada que Deus possa lhe dar o fará feliz.
A realização dos seus desejos e aspirações não constituem felicidade. No máximo trarão alegrias ou euforias momentâneas, efêmeras.
Deus não pode fazê-lo feliz.
Deus não tem obrigação de fazer ninguém feliz, nem Deus, nem ninguém.
Quem vive de expectativa está destinado à frustração.
Ninguém está aqui para corresponder às expectativas de ninguém.
Ao permitir que o outro Seja, nos permitimos ser surpreendidos.
Tentar ser melhor é a base do erro, pois pressupõe que seu Ser não é bom o suficiente além do fato de que quem tenta se melhorar mal conhece quem realmente é.
Sentir que você é o que é, não é uma tentativa e sim uma visão de perspectiva interna.
Não precisamos chegar lá. Já estamos no único lugar que podemos estar. Aqui!
Uma vida previsível não pode ser surpreendente.
Deus é uma visão de mundo perfeito.
Se você pede coisas a um Deus distante no céu, então vive numa Terra sem Deus.
Não peça a Deus para melhorar o mundo que você vê. Veja o mundo com os olhos de Deus...
A crença em Deus sozinha sem a experiência direta extra-físico-intelectiva só serve para criar conflitos entre deuses-mentais, quando ignoram o Deus-Realidade.
Conhecer Deus é divinizar a realidade humana.
A fé não deve ser buscada e sim entendida além das fronteiras da mente.
Mais importante do que o que você acredita é o porquê você acredita.
Perguntar quem é Deus é apenas um modo de perguntar quem é você.
O amor dispensa regras e convenções humanas. Não se prende a gestos, palavras ou formas. Não está certo nem errado. Apenas o amar torna o amor inteligível
Amar é esquecer os conceitos sobre amor e sentir a vida vibrar.
Amar é ouvir tudo que é vivo cantando em uníssono. É juntar-se a esse canto que chamamos Vida. É perceber porque estar vivo configura o maior dom de Deus.
O amor não vai fazê-lo feliz!
Amar é ser feliz, porque Deus deixa de ser Alguém a conduzir ou tentar melhora a sua vida e passa a Ser a própria Vida que você vive.
Deus está integrado profundamente à Vida. Afinal Ele não CREOU um palco como o universo para ser um espectador.
A vida sem Deus é apenas um amontoado de conceitos abstratos e sem sentido.
Viver a vida não é viver com Deus.
É viver Deus
Você não precisa de Deus na sua vida...
A vida sem Deus? Não sei como defini-la. Talvez, morte, ou talvez, um conjunto de objetos inanimados numa dança caótica, aleatória rumo ao vazio.
Não espere Deus tocar sua vida.
Ele é sua vida. Aqueles que humilham o próprio orgulho e egoísmo poderão sentí-Lo.
Não há espaço para DEUS no interior de quem está preenchido pelo EU.
Pedir para ficarem com Deus seria contradizer todos os argumentos...
Então... Sejam a vontade de Deus. Sejam os Olhos de Deus. Vivam o mundo de Deus para poderem sentir o Deus dos mundos.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Cristão morre ou desencarna?
Uma questão espírita?
A morte é uma presença constante, espreitando de perto tudo que é vivo. Mesmo essa verdade sendo tão óbvia quanto natural, a maioria das pessoas prefere ignorá-la ao viver uma falsa eternidade terrena e termina por chocar-se nos momentos que encará-la se torna inevitável.
Aqueles denominados cristãos ficam igualmente atordoados com a desintegração do corpo e curiosamente a chamam de morte. Morrer significa deixar de existir, findar-se. Não é a mesma comunidade cristã que apesar de rejeitar a reencarnação, confirma categoricamente a imortalidade do espírito, demonstrada pela ressurreição do próprio Cristo? Uma vez que o espírito seria o constituinte essencial do ser humano além de seu caráter invulnerável diante da destruição física! Por que se referir às pessoas desencarnadas como defuntas, finadas ou mortas? Esse vocabulário fúnebre contradiz mesmo os discursos cristãos mais tradicionais. Mesmo que a visão do mundo extra-físico se restrinja aos espaços nebulosos do céu e do inferno, ainda assim o espírito vive para sempre. Logo um cristão falar de morte constitui contra-senso.
Os espíritas podem ter popularizado em seu meio a palavra "desencarnar", porém ela devia ser estendida a todos os meios cristãos, para não citar todos aqueles os quais pregam a imortalidade da alma.Tanto nas missas quanto nos cultos ouvimos pregadores afirmando a vitória de Jesus sobre a morte, esta é aliás, nada mais, nada menos que a pedra angular do cristianismo, a fonte da fé cristã, a ideia fundamental sustentadora de toda moral defendida nos meios cristãos.
O medo da morte aparece em primeiro lugar na lista dos maiores temores da humanidade, no entanto observamos os mártires cristãos da época romana caminharem para o coliseu cantarolando alegremente, mesmo estando prestes a serem devorados. Pensavam eles que iriam morrer? Ou eles viam o viver como única alternativa?
Desencarnar não é deixar de viver para reviver numa outra vida, muito menos morrer. Desencarnar é simplesmente continuar vivo, como um sopro de Deus que não desvanece.
Substituir uma mera palavra pode não ser suficiente para adquirirmos a consciência profunda daquilo que a palavra representa, todavia as representações da Vida não podem ser vinculadas aos símbolos da morte. Uma Vida sem fim, uma Vida que muda, uma Vida que sempre continua.
Mg Amaral (All rights reserve!)
Até o próximo post!
sábado, 27 de agosto de 2011
O(S) Signo(S) da Morte?
Entre o martírio e o suicídio
Este texto se propõe a uma pequena reflexão a respeito de um comentário feito pelo mestrando Marcelo José Pereira( PPGH-UFPA), na sua exposição relativa a sua pesquisa: “A(O) suicida – comum-de-dois? As representações sobre o masculino e o feminino através das notícias sobre suicídios na imprensa belenense ( 1891 a 1919)”, no III Encontro de Novos Pesquisadores em História já mencionado em postagens anteriores.
No geral, parabenizo o mestrando devido ao caráter interessante do seu tema, assim como sua capacidade apurada de análise e oralidade. Contudo, um comentário inquietou meu espírito. Segundo ele, a Igreja Católica estaria em contradição, no momento em que exaltava o martírio e condenava o suicídio. Naquela hora, pego de surpresa com a questão e ainda interessado no desfecho da análise de Marcelo, não consegui estruturar meus pensamentos, de modo a contra-argumentar a afirmação coerentemente, ou seja, fiquei com medo de falar “besteira” e esperei para refletir em casa.
Bem... o que caracterizaria um suicida? Basicamente, seria uma pessoa disposta a tirar a própria vida. Mas por que uma pessoa teria tal aspiração? Acredito que, por viver uma situação, na sua ótica, intolerável, vislumbra como única solução se atirar no vazio. Sim, vazio! Um suicida dificilmente possuiria uma convicção interiorizada de uma existência além-túmulo. Mesmo que tivesse alguma, ela seria inconsistente, frágil, assombrada pela dúvida. Afinal, a não-existência seria o remédio para seu tormento psíquico. É contrária aos seus interesses, a possibilidade de permanecer vivo, após o fim do organismo material, pois a continuação da vida implica na continuidade de seus tormentos, uma vez que as doutrinas religiosas, de um modo geral, não oferecem boas perspectivas ao pós-vida dos suicidas.
Um segmento da realidade se tornara monstruoso, uma espécie de problema crônico, insolúvel e que torna cada minuto da vida amargo demais para suportar. Assim, o suicida encontra na morte a solução definitiva. Na verdade, ele não deseja a morte. Apenas procura desesperadamente um fim para seu(s) problema(s), decidindo pelo fim da própria vida, na sua concepção de finitude do existir.
O mártir representa um sujeito situado no extremo oposto da mentalidade suicida. Em momento algum ele deseja dar cabo de si mesmo, até porque, na concepção católica que por ora tratamos, não existe essa possibilidade de deixar de existir. O espírito é a fonte da vitalidade, a qual abandona o corpo no pós-morte sem jamais deixar o elemento espiritual, mesmo que seja para segui-lo nos suplícios infernais.
O mártir, ao contrário do suicida, não se acovarda diante de uma realidade conflituosa. Ele a enfrenta com uma coragem invejável até suas últimas consequências. Ele a encara, face a face, sem receio da morte porque, na sua perspectiva, esta não existe. Sendo assim, o mártir é amante da vida no seu sentido mais pleno, pois sua convicção espiritual se baseia, justamente, na ideia de eternidade, conceito ausente do vocabulário suicida. Outra questão é o fato de o mártir ser morto por outrem. Marcelo queria aproximar o mártir do suicida, afirmando que o primeiro se entregava à morte, praticando um suicídio indireto. Hipótese que não resiste a um exame minucioso.
Logo, a Igreja Católica, nesse caso, não caiu em contradição. Cada um desses dois personagens abordados executa papéis distintos, em contextos diferentes, além de possuírem visões de mundo diametralmente opostas. O suicida caminha vacilante, incerto do seu destino e torcendo pelo fim definitivo; o mártir transborda serenidade, mesmo entrevendo a destruição do seu corpo físico, elemento de uma vida secundária na concepção dele. A morte de um mártir poderia constituir uma profunda lição de vida para um suicida. Demonstra como a fé enraizada pode dar força ao indivíduo para que ele não ceda às pressões externas em situações extremas. Mg
VOCABULÁRIO
Mártir
substantivo de dois gêneros
1 pessoa submetida a suplícios, ou mesmo à morte, pela recusa de renunciar à fé cristã ou a qualquer de seus princípios
2 Derivação: por extensão de sentido.
pessoa que sofreu torturas, ou mesmo morte, por não renunciar a qualquer outra crença, religiosa ou política
3 Uso: hiperbólico.
pessoa que sacrifica a própria vida ou algo de muito valor para levar a cabo algum trabalho ou experiência
Ex.: m. da ciência
4 Uso: hiperbólico.
pessoa que sofre intensa e constantemente de um determinado mal
Ex.: m. do câncer
5 Derivação: por extensão de sentido. Uso: jocoso.
vítima da tirania de certas convenções
Ex.: m. da moda
Martírio
substantivo masculino
1 tormentos e/ou morte infligidos a alguém em consequência de sua adesão a uma causa, a uma fé religiosa, esp. à fé cristã
Ex.: o m. de são Sebastião
2 Uso: hiperbólico.
grande sofrimento, grande aflição
Ex.: um amor não correspondido é um m.
Suicida
adjetivo de dois gêneros
1 relativo a ou que envolve suicídio
Exs.: revolução s.
luta s.
2 que serviu de instrumento de suicídio
Ex.: revólver s.
3 em que há dano ou ruína certa para o agente
Ex.: atitude s.
adjetivo de dois gêneros e substantivo de dois gêneros
4 que ou aquele que comete suicídio
Suicídio
substantivo masculino
Regionalismo: Brasil.
1 ato ou efeito de suicidar-se
Ex.: cometer s.
2 Derivação: sentido figurado.
desgraça ou ruína causada por ação do próprio indivíduo, ou por falta de discernimento, de previdência etc.
Ex.: sua ida para outro partido foi um s. político
3 Rubrica: ludologia. Regionalismo: Brasil.
em sinuca e jogos afins, ato de o jogador encaçapar involuntariamente a bola branca
Até o próximo post!
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Trans-Sinfonia
O intinerário era Vale dos Rios-Barra, com todos os vai e vem e volta e não vai... e não vai... e não vai... e vai indo... mais um pouquinho...ao rítmo invisível de Martinho da Vila, rítmo esse amplamente adotado, desenvolvido e divulgado no seio do trânsito soteropolitano. A melodia martiniana se intensifica, ganhando tons agudos ou graves a depender da configuração das nuvens que parecem aderir e exaltar o movimento geral da cidade.
Na verdade, esses aglomerados cinzentos de potenciais catastróficos imprimem seu próprio movimento ou não-movimento às óticas enclausuradas, nos seus carros. Não o movimento veloz, quando descem de seus tronos celestiais, mas aqueles goticulares vítreos ( as gotinhas se condensando no vidro, morosas, despreocupadas).
Eu observava tudo isso do famoso R3 rumo ao campus florestal ondinense. Talvez a preservação da mata auxilie as ciências biológicas... De qualquer modo, aquelas gotas se acumulavam tediosas na janela, quando um som peculiar me desvia a atenção... sanfona? Sim, era uma sanfona com direito a batucada de tambor! Por um instante acreditei que o São João havia retornado, apesar das feições pouco simpáticas de alguns ouvintes, atípicas no São João. O som era até agradável, o cantor nem tanto, mas sua voz se arrastava junto ao espalhar das águas nas janelas. Tudo ia mais ou menos bem até os vizinhos nos seus autoimóveis resolverem contribuir com o som mais alto ao seu alcance...
As buzinadas irrompem na atmosfera chuvosa e invadem dissonantes a harmonia junina que tentava se estabelecer no sistema auditivo. Não sei bem se existe conflito entre os sons ou se eu imaginei tudo isso, graças à dificuldade do cérebro em decodificar tantas "harmonias" distintas... Harmonias no Plural maiúsculo, porque não podemos esquecer do burburinho comunicativo e das pessoas na rua, tentando ganhar a vida precariamente. Nesse momento, entro numa crise existencial, pois tento abstrair tudo quanto seja possível, me aproximando de um estado meditativo-anestésico. Mas... como só Jesus salva, a meditação durou pouco.
A palavra de Deus me despertou com seu discurso arrebatador, pra não dizer sacudidor das entranhas do ser com foco especial no já castigado ouvido. Não sei se Jesus enunciou "gritai e orai"... (talvez seja um texto suprimido dos evangelhos ou, quem sabe, o nascimento de uma heresia que eu poderia batizar de enfaticismo, afinal os acadêmicos necessitam desses conceitos bem elaborados para seu próprio bem). Seja como for, meus ouvidos atingiram o nirvana devido à ressonância ininterrupta e insistente da palavra divina. O ônibus passava pelo transbordo que estava sendo batizado pelo ar ( pela água já está ultrapassado). A banda junina desce do seu palco móvel ( coisas da modernidade de recriar contextos e resignificar espaços) e, quando penso em me concentrar na melodia da chuva, eis que o pessoal é convocado para exercer seu papel de consumidores no capitalismo emergente das classes C, D e Etc.
Boa noite, pessoal! Desculpe incomodar o silêncio da viagem que vocês devem estar fazendo com esse texto, mas, pessoal, chegaram aqui as deliciosas palavras mgenianas, esse texto que “cês” acabaram de ler. Agora, eu vou recolher e aqueles que tiverem interesse, aqui na minha mão, é apenas 1R$, na promoção! Perpétua promoção, diversão é o passatempo da viagem, pessoal!
O trânsito pode ser lento, mas a cidade continua agitada e meus pensamentos seguem essa Trans-Sinfonia.
Mg
Até o próximo post!
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
III Encontro de Novos Pesquisadores de Pós Graduação
O III Encontro de Novos Pesquisadores em História pretende construir um espaço de diálogo para reunir a comunidade acadêmica interessada em debater questões e problemas ligados à História. Verifica-se, atualmente, um significativo aumento da produção no campo do conhecimento histórico, presente em instituições públicas e privadas por todo o estado da Bahia, cujos programas de pós-graduação atendem demandas de pesquisadores tanto da região norte quanto da região nordeste. Dado o tamanho considerável deste público e do processo de consolidação do evento proposto, evidencia-se a importância do encontro, pois o mesmo favorece a divulgação de pesquisas recentes e fomenta novas investigações.
Assim, a terceira edição do evento (23-26/08/2011) se fundamentará sobre uma diversidade de mini-cursos e mesas de discussão que tentarão abranger os mais diferentes campos da historiografia contemporânea, onde serão apresentadas comunicações. Também pretende-se montar exposição em homenagem aos 200 anos de imprensa na Bahia.
O encontro será dividido em três conferências, nas quais se discutirá a imprensa na Bahia e no Brasil; a história e historiografia da América Portuguesa e a história indígena no Brasil. Em relação à sua estrutura, optou-se por adotar a seguinte metodologia: reunir dois professores, um da Bahia e outro de fora do estado, visando demonstrar as diferenças e similaridades entre a produção historiográfica realizada por esses profissionais.
FONTE:
http://novospesquisadores2011.blogspot.com/2010/12/o-encontro-de-novos-pesquisadores-em.htmlInteressados acessem! Vale a pena prestigiar esse evento.
Contradições de Carlos Fuentes
O Espelho Enterrado
Capítulo 2 : A Conquista da Espanha
WIKIPÉDIA:
Carlos Fuentes Macías (11 de novembro de 1928, cidade do Panamá, Panamá) é um escritor mexicano.
Estudou na Suíça e nos Estados Unidos da América. Foi embaixador do México na França. Lecionou em Harvard, Cambridge, Princeton e outras universidades norte-americanas de renome internacional. Viveu em outras grandes cidades como Quito, Montevideo, Rio de Janeiro, Washington DC, Santiago e Buenos Aires. Durante a sua adolescência voltou ao México, onde residiu até 1965.
Foram-lhe já atribuídos diversos prémios e distinções entre os quais o Prêmio Miguel de Cervantes, em 1987.
Livro: O ESPELHO ENTERRADO
Subtítulo: Reflexões sobre a Espanha e o Novo Mundo
Autor: Carlos Fuentes
Tradução:Mauro Gama
Capítulo 2 : A Conquista da Espanha
Carlos Fuentes descreve a conquista romana da península ibérica, ao meu ver, de forma romântica, exaltando a suposta harmonia como esta se deu.(pg 35) Roma teria preenchido o "vazio cultural" dos "primitivos" celtibéricos apenas pelo poder civilizatório da urbanização. A cultura agrícola dos nativos interioranos careceria do vigor urbano, característica dos povos civilizados ligados ao comércio e sua consequente troca de idéias que favorecia o desenvolvimento das artes, filosofias e ciência. Fuentes contrasta a benevolência romana com a violência atroz do Império Espanhol, ao dominar os povos de culturas pré-colombianas.
É notável a contradição que se apresenta logo na página seguinte, ao destacar o individualismo e o apego à terra natal ( aldeia) dos povos ibéricos, os quais constituem o fermento de uma resistência tenaz ao domínio romano. Resistência essa que ganha contornos épicos na narrativa do mexicano, ressaltando o papel emblemático de Numância, na sua capacidade de suportar as privações do sítio romano sem se entregar. Ela leva a guerra às suas últimas consequências com o suicídio coletivo da maioria dos habitantes! Vale lembrar que já havia resistido anteriormente, por cinco anos, através des seus incasáveis e temíveis guerrilheiros.
Viriato é outro personagem salientado pelo autor, devido a sua grande habilidade guerrilheira. Sua força e inteligência militar esgotaram os romanos, a ponto de o declararem como amigo. Depois, apunhalaram-no pelas costas. Segundo Fuentes, ele só poderia ser derrotado por traição.(pg 38)
Seja como for, fica claro por conta dos próprios exemplos citados pelo autor que o domínio romano foi tão violento quanto a conquista espanhola no novo mundo. A mera construção de cidades e estradas estava bem longe de ser suficiente para acalmar os ânimos de uma população, a qual via seu território invadido sem respeito algum. Além disso, as instituições romanas não se estabeleceram de forma pacífica. Suas leis, religião, língua e toda parafernália cultural deve ter sido bastante indigesta para esses ibéricos milenares. O conflito basco demonstra como essa dor de barriga persiste até hoje.
De forma alguma, esse equívoco tira o prestígio de Carlos Fuentes, afinal ele foi um grande intelectual e não tinha formação de historiador. De certo modo, ele parece dar voz ao coração em certas passagens do texto. O calor das emoções pode ser tão nocivo quanto a atual frieza acadêmica.
MG
Citações:
"Ao longo de muito tempo, Roma foi a experiência culminante da conquista da Espanha por uma força externa: antes das invasões mulçumanas de 711 [...] a Espanha, nas Américas, esmagou de maneira deliberada as civilizações preexistentes [...] substituindo violentamente uma forma de cultura por outra, a experiência hispânica com os romanos foi exatamente oposta ( grifos nossos). A Itália criou na Espanha um governo e instituições públicas harmoniosas [...] Levou idéias de unidade [...] E o fez mediante o instrumento da vida urbana." ( p. 35 )
"[...] os ibéricos sentiam uma atração profunda pela sua própria localidade, sua aldeia [...] os comandantes romanos tinham de lutar sucessivamente contra uma aldeia, e outra, e cada uma delas oferecia às coortes romanas resistências prolongadas e tenazes." ( grifos nossos) ( p. 36 )
( Numância sitiada) "Mas Numância não se rendia, até que, no ano 133, segundo La guerra ibérica , de Apiano: ' a maioria dos habitantes se suicidou, e os demais... saíram... oferecendo um espetáculo estranho e pavoroso [...] em seus rostos se inscreviam a raiva, a dor e o esgotamento.' " (p. 37)
"Ao longo de muito tempo, Roma foi a experiência culminante da conquista da Espanha por uma força externa: antes das invasões mulçumanas de 711 [...] a Espanha, nas Américas, esmagou de maneira deliberada as civilizações preexistentes [...] substituindo violentamente uma forma de cultura por outra, a experiência hispânica com os romanos foi exatamente oposta ( grifos nossos). A Itália criou na Espanha um governo e instituições públicas harmoniosas [...] Levou idéias de unidade [...] E o fez mediante o instrumento da vida urbana." ( p. 35 )
"[...] os ibéricos sentiam uma atração profunda pela sua própria localidade, sua aldeia [...] os comandantes romanos tinham de lutar sucessivamente contra uma aldeia, e outra, e cada uma delas oferecia às coortes romanas resistências prolongadas e tenazes." ( grifos nossos) ( p. 36 )
( Numância sitiada) "Mas Numância não se rendia, até que, no ano 133, segundo La guerra ibérica , de Apiano: ' a maioria dos habitantes se suicidou, e os demais... saíram... oferecendo um espetáculo estranho e pavoroso [...] em seus rostos se inscreviam a raiva, a dor e o esgotamento.' " (p. 37)
WIKIPÉDIA:
Carlos Fuentes Macías (11 de novembro de 1928, cidade do Panamá, Panamá) é um escritor mexicano.
Estudou na Suíça e nos Estados Unidos da América. Foi embaixador do México na França. Lecionou em Harvard, Cambridge, Princeton e outras universidades norte-americanas de renome internacional. Viveu em outras grandes cidades como Quito, Montevideo, Rio de Janeiro, Washington DC, Santiago e Buenos Aires. Durante a sua adolescência voltou ao México, onde residiu até 1965.
Foram-lhe já atribuídos diversos prémios e distinções entre os quais o Prêmio Miguel de Cervantes, em 1987.
Livro: O ESPELHO ENTERRADO
Subtítulo: Reflexões sobre a Espanha e o Novo Mundo
Autor: Carlos Fuentes
Tradução:Mauro Gama
domingo, 21 de agosto de 2011
A Gênese Epistemológica
A Ontogonia
O Ontologista Supremo disse:
- Que a partir da realidade fundamental do Meu Ser, façam-se os ônticos!
E os ônticos começaram a existir. E o Ontologista viu que a imensurável multiplicidade, abundantemente heterogênea era boa.( Boa, porque só Ele conseguia compreender a ordem e a beleza na complexidade e no caos aparente). Houve um movimento rotativo em torno do eixo da Terra: foi o primeiro dia.
E Ele ordenou os ônticos epistemologicamente( cada um segundo sua natureza específica), separando Seus exclusivos objetos do conhecimento daqueles também acessíveis à mente ôntica.
E Ele viu que a acessibilidade e a disponibilização de parte dos conhecimentos era boa. Houve um movimento rotativo em torno do eixo da Terra: foi o segundo dia.
Então o Ontologista disse:
- Faça-se o ôntico humano à minha imagem e semelhança. Que sua ciência domine, parcialmente, os ônticos marinhos, os ônticos celestes e ônticos terrestres. Que suas teorias sejam fecundas e se multipliquem, abrangendo os ônticos marinhos, celestes e terrestre até os invisíveis. Houve um movimento rotativo em torno do eixo da Terra: foi o terceiro dia.
E o Ontologista disse:
- Vejam! Eu entrego a vocês todas as sementes filosóficas e os frutos da episteme para que sirvam de alimento às suas teorias e instrumento investigativo.
Porém, advertiu que o conhecimento absoluto era propriedade inalienável dEle e por isso aqueles que desejassem entender da maneira mais ampla possível a um ôntico, deveriam consutá-lO.
Então o Ontologista viu que tudo concebido por Ele era muito bom e introduzindo o verbo metafísico( o terror da ciência) Ele abençoou a criação e descansou já no quarto dia.( Ele não é capitalista)
No Seu descanso Ele previu o afastamento de muitos humanos que tentariam entender a realidade fundamental por si só, a despeito de sua advertência. Então ele sorriu... e reza a lenda que esse sorriso teria inspirado um certo Leonardo ao ver uma certa Lisa.
Milênios depois...
Estudantes se debatem, quebram a cabeça uns dos outros e se digladiam para entender a espistemologia ontológica da realidade. ( seja lá o que isso queira dizer, eis a questão).
Quanto ao Ontologista Supremo? Bem, na sua Suprema inteligência sapiencial Ele arranjou um modo de se divertir por toda eternidade ou pelo menos enquanto exista humanidade, no sentido filosófico do termo...
Mg (num domingo sem o que fazer, fui olhar no dicionário o significado de epistemologia e surgiu a idéia)
Vocabúlario:
Episteme:
substantivo feminino
Rubrica: filosofia.
1 na filosofia grega, esp. no platonismo, o conhecimento verdadeiro, de natureza científica, em oposição à opinião infundada ou irrefletida
2 no pensamento de Foucault (1926-1984), o paradigma geral segundo o qual se estruturam, em uma determinada época, os múltiplos saberes científicos, que por esta razão compartilham, a despeito de suas especificidades e diferentes objetos, determinadas formas ou características gerais [O surgimento de uma nova episteme estabelece uma drástica ruptura epistemológica que abole a totalidade dos métodos e pressupostos cognitivos anteriores, o que implica uma concepção fragmentária e não evolucionista da história da ciência.]
Epistemologia:
substantivo feminino
Rubrica: filosofia.
1 reflexão geral em torno da natureza, etapas e limites do conhecimento humano, esp. nas relações que se estabelecem entre o sujeito indagativo e o objeto inerte, as duas polaridades tradicionais do processo cognitivo; teoria do conhecimento
2 Derivação: frequentemente.
estudo dos postulados, conclusões e métodos dos diferentes ramos do saber científico, ou das teorias e práticas em geral, avaliadas em sua validade cognitiva, ou descritas em suas trajetórias evolutivas, seus paradigmas estruturais ou suas relações com a sociedade e a história; teoria da ciência
Filosofia:
substantivo feminino
1 Rubrica: filosofia.
amor pela sabedoria, experimentado apenas pelo ser humano consciente de sua própria ignorância [Segundo autores clássicos, sentido original do termo, atribuído ao filósofo grego Pitágoras (sVI a.C.).]
2 Rubrica: filosofia.
no platonismo, investigação da dimensão essencial e ontológica do mundo real, ultrapassando a opinião irrefletida do senso comum que se mantém cativa da realidade empírica e das aparências sensíveis
3 Rubrica: filosofia.
no âmbito das relações com o conhecimento científico, conjunto de princípios teóricos que fundamentam, avaliam e sintetizam as ciências particulares, contribuindo para o desenvolvimento de muitos destes ramos do saber
4 Rubrica: filosofia.
na dimensão metafísica, conjunto de especulações teóricas que compartilham com a religião a busca das verdades primeiras e incondicionadas, tais como as relativas à natureza de Deus, da alma e do universo, mas utilizando procedimentos argumentativos, lógicos e dedutivos
5 Rubrica: filosofia.
no âmbito da relação entre teoria e prática, pensamento inicialmente contemplativo, em que o ser humano busca compreender a si mesmo e a realidade circundante, e que determinará o seu caráter prescritivo ou prático, voltado para a ação concreta e suas consequências éticas, políticas ou psicológicas
6 conjunto das obras filosóficas de um determinado autor; teoria, sistema, doutrina
Ex.: a f. de Aristóteles
7 pensamento ou obra escrita de conteúdo filosófico
8 conjunto de concepções filosóficas comuns a determinado grupo, época, região etc.
Ex.: f. francesa
9 Derivação: por extensão de sentido.
razão, sabedoria
Ôntico:
adjetivo
Rubrica: filosofia.
1 relativo ou pertencente ao ser, ao seu estudo ou às suas características
1.1 no heideggerianismo, diz-se do que se relaciona ao ente, o existente múltiplo e concreto, em oposição ao ontológico, que se refere à essência ou natureza geral de cada particularidade existente
Ontogonia:
substantivo feminino
história da produção e formação, na Terra, dos seres organizados
Ontologia:
substantivo feminino
1 Rubrica: filosofia.
segundo o aristotelismo, parte da filosofia que tem por objeto o estudo das propriedades mais gerais do ser, apartada da infinidade de determinações que, ao qualificá-lo particularmente, ocultam sua natureza plena e integral
2 Rubrica: filosofia.
no heideggerianismo, reflexão a respeito do sentido abrangente do ser, como aquilo que torna possível as múltiplas existências [Opõe-se à tradição metafísica que, em sua orientação teológica, teria transformado o ser em geral num mero ente com atributos divinos.]
3 Rubrica: história da medicina.
doutrina que estuda o ser da doença (esp. o ser das febres), como se a enfermidade existisse em conformidade a um tipo bem definido, a uma essência
O Ontologista Supremo disse:
- Que a partir da realidade fundamental do Meu Ser, façam-se os ônticos!
E os ônticos começaram a existir. E o Ontologista viu que a imensurável multiplicidade, abundantemente heterogênea era boa.( Boa, porque só Ele conseguia compreender a ordem e a beleza na complexidade e no caos aparente). Houve um movimento rotativo em torno do eixo da Terra: foi o primeiro dia.
E Ele ordenou os ônticos epistemologicamente( cada um segundo sua natureza específica), separando Seus exclusivos objetos do conhecimento daqueles também acessíveis à mente ôntica.
E Ele viu que a acessibilidade e a disponibilização de parte dos conhecimentos era boa. Houve um movimento rotativo em torno do eixo da Terra: foi o segundo dia.
Então o Ontologista disse:
- Faça-se o ôntico humano à minha imagem e semelhança. Que sua ciência domine, parcialmente, os ônticos marinhos, os ônticos celestes e ônticos terrestres. Que suas teorias sejam fecundas e se multipliquem, abrangendo os ônticos marinhos, celestes e terrestre até os invisíveis. Houve um movimento rotativo em torno do eixo da Terra: foi o terceiro dia.
E o Ontologista disse:
- Vejam! Eu entrego a vocês todas as sementes filosóficas e os frutos da episteme para que sirvam de alimento às suas teorias e instrumento investigativo.
Porém, advertiu que o conhecimento absoluto era propriedade inalienável dEle e por isso aqueles que desejassem entender da maneira mais ampla possível a um ôntico, deveriam consutá-lO.
Então o Ontologista viu que tudo concebido por Ele era muito bom e introduzindo o verbo metafísico( o terror da ciência) Ele abençoou a criação e descansou já no quarto dia.( Ele não é capitalista)
No Seu descanso Ele previu o afastamento de muitos humanos que tentariam entender a realidade fundamental por si só, a despeito de sua advertência. Então ele sorriu... e reza a lenda que esse sorriso teria inspirado um certo Leonardo ao ver uma certa Lisa.
Milênios depois...
Estudantes se debatem, quebram a cabeça uns dos outros e se digladiam para entender a espistemologia ontológica da realidade. ( seja lá o que isso queira dizer, eis a questão).
Quanto ao Ontologista Supremo? Bem, na sua Suprema inteligência sapiencial Ele arranjou um modo de se divertir por toda eternidade ou pelo menos enquanto exista humanidade, no sentido filosófico do termo...
Mg (num domingo sem o que fazer, fui olhar no dicionário o significado de epistemologia e surgiu a idéia)
Vocabúlario:
Episteme:
substantivo feminino
Rubrica: filosofia.
1 na filosofia grega, esp. no platonismo, o conhecimento verdadeiro, de natureza científica, em oposição à opinião infundada ou irrefletida
2 no pensamento de Foucault (1926-1984), o paradigma geral segundo o qual se estruturam, em uma determinada época, os múltiplos saberes científicos, que por esta razão compartilham, a despeito de suas especificidades e diferentes objetos, determinadas formas ou características gerais [O surgimento de uma nova episteme estabelece uma drástica ruptura epistemológica que abole a totalidade dos métodos e pressupostos cognitivos anteriores, o que implica uma concepção fragmentária e não evolucionista da história da ciência.]
Epistemologia:
substantivo feminino
Rubrica: filosofia.
1 reflexão geral em torno da natureza, etapas e limites do conhecimento humano, esp. nas relações que se estabelecem entre o sujeito indagativo e o objeto inerte, as duas polaridades tradicionais do processo cognitivo; teoria do conhecimento
2 Derivação: frequentemente.
estudo dos postulados, conclusões e métodos dos diferentes ramos do saber científico, ou das teorias e práticas em geral, avaliadas em sua validade cognitiva, ou descritas em suas trajetórias evolutivas, seus paradigmas estruturais ou suas relações com a sociedade e a história; teoria da ciência
Filosofia:
substantivo feminino
1 Rubrica: filosofia.
amor pela sabedoria, experimentado apenas pelo ser humano consciente de sua própria ignorância [Segundo autores clássicos, sentido original do termo, atribuído ao filósofo grego Pitágoras (sVI a.C.).]
2 Rubrica: filosofia.
no platonismo, investigação da dimensão essencial e ontológica do mundo real, ultrapassando a opinião irrefletida do senso comum que se mantém cativa da realidade empírica e das aparências sensíveis
3 Rubrica: filosofia.
no âmbito das relações com o conhecimento científico, conjunto de princípios teóricos que fundamentam, avaliam e sintetizam as ciências particulares, contribuindo para o desenvolvimento de muitos destes ramos do saber
4 Rubrica: filosofia.
na dimensão metafísica, conjunto de especulações teóricas que compartilham com a religião a busca das verdades primeiras e incondicionadas, tais como as relativas à natureza de Deus, da alma e do universo, mas utilizando procedimentos argumentativos, lógicos e dedutivos
5 Rubrica: filosofia.
no âmbito da relação entre teoria e prática, pensamento inicialmente contemplativo, em que o ser humano busca compreender a si mesmo e a realidade circundante, e que determinará o seu caráter prescritivo ou prático, voltado para a ação concreta e suas consequências éticas, políticas ou psicológicas
6 conjunto das obras filosóficas de um determinado autor; teoria, sistema, doutrina
Ex.: a f. de Aristóteles
7 pensamento ou obra escrita de conteúdo filosófico
8 conjunto de concepções filosóficas comuns a determinado grupo, época, região etc.
Ex.: f. francesa
9 Derivação: por extensão de sentido.
razão, sabedoria
Ôntico:
adjetivo
Rubrica: filosofia.
1 relativo ou pertencente ao ser, ao seu estudo ou às suas características
1.1 no heideggerianismo, diz-se do que se relaciona ao ente, o existente múltiplo e concreto, em oposição ao ontológico, que se refere à essência ou natureza geral de cada particularidade existente
Ontogonia:
substantivo feminino
história da produção e formação, na Terra, dos seres organizados
Ontologia:
substantivo feminino
1 Rubrica: filosofia.
segundo o aristotelismo, parte da filosofia que tem por objeto o estudo das propriedades mais gerais do ser, apartada da infinidade de determinações que, ao qualificá-lo particularmente, ocultam sua natureza plena e integral
2 Rubrica: filosofia.
no heideggerianismo, reflexão a respeito do sentido abrangente do ser, como aquilo que torna possível as múltiplas existências [Opõe-se à tradição metafísica que, em sua orientação teológica, teria transformado o ser em geral num mero ente com atributos divinos.]
3 Rubrica: história da medicina.
doutrina que estuda o ser da doença (esp. o ser das febres), como se a enfermidade existisse em conformidade a um tipo bem definido, a uma essência
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