sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Muitos Sinos, Muitos Tons


Hoje a noite é Bela

     Hoje, ontem, sempre. Mesmo com nuvens, chuvas ou tempestades, as estrelas continuam a brilhar acima delas na abóboda da maior das capelas. Enxergamos pequenos, aqueles que são os grandes faróis divinos. A luz que acende o olhar e vem para acender e mostrar o amor que a gente não via. É... incrível, mas 2000 mil anos foram insuficientes para retirarmos o argueiro de nossos olhos. Por que reparas tu no argueiro do olho do próximo? Hipócrita! Liberte sua mente do que a mentira contou.
     Então é natal, a festa cristã, além das religiões. Uma noite feliz. O Deus de Amor foi representado pela mais ilustre das figuras humanas ou talvez a única nascida plenamente humana, infatigável na missão de ensinar: Ser humano é amar o ser humano, simplesmente sendo humano como Eu Sou a Paz invadindo seu coração. Contudo, assim caminha a humanidade com passos de formiga e sem vontade. Humanidade desumana, humanidade dos bacanas. Palácios de ouro erguidos sobre as misérias humanas. 
     Mas eu só quero um amor que acabe o meu sofrer. Um amor que não se acabe. Infinito como Deus, só vindo Dele mesmo. O único capaz de preencher meu infinito particular que é só mistério, não tem segredo. Venha não tenha medo. Mergulhe dentro de si para ver nascer: um novo eu, sem meus, tu ou eles, apenas nós. Um eu sem fronteiras. Com D de divino. Deus dos céus das nossas mentes, Deus das terras em nossos corações. Semeador de flores cuja beleza os olhos do corpo não podem apreciar, assim como seu inefável perfume... só no íntimo da alma o sentimos exalar. Semeei no espírito de todos essa primavera. O Amor de Deus sempre nos espera. Depois do inverno, a vida em cores, me espere Amor, nossa temporada das flores.
     Às vezes no silêncio da noite, eu fico aqui sonhando acordado, querendo um amor maior que eu. Um amor que entre na minha casa, na minha vida, mexa todas as estruturas e sare todas as feridas. Sei que meu coração bate feliz quando Te ver, porque eu sei que é amor e não peço nenhuma prova, porque eu sei que é amor. Mas quando Te vejo se não És visível? Alguma coisa acontece no meu coração... Deus invisível, Deus sem forma, seria uma mera abstração? Queria abstrair essa dúvida, queria que essa fantasia fosse eterna, que a paz vença a guerra e viver seja só festejar.
     E a vida? E a vida o que é diga lá meu irmão? Ela é a batida de um coraçãozinho. De um coração que bate por todos nós. A batida que da o tom da vida. O tom permeado pela harmonia celeste. Um canto de esperança no choro de uma criança que insiste em nascer na escuridão das grutas de nossas almas, duras como pedras. Seu olhar são dois faróis, indicando o caminho da Luz maior e nas suas mãos trás dois pequenos sinos. Bate o sino pequenino, sino de Belém, já nasceu Jesus menino para o nosso bem. Ecoa o sino nas paredes das grutas alegre a cantar. As pedras viram cristais transparentes, e ao olhar o céu, vislumbramos nosso Lar.

FELIZ NATAL! HO! HO! HO!

     A LIÇÃO DO BOM VELHINHO FOI A DOAÇÃO DE SI PELO OUTRO, SEGUINDO O EXEMPLO DO MESTRE NAZARENO! LEMBREMOS DISSO ANTES DO ATO, POR VEZES MECÂNICO, DE COMPRAR OS PRESENTES!

ATÉ O PRÓXIMO POST! JINGLE BELLS!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Juvany Viana

Juvany
Formação: Relações Humanas

     Alfabetização, ensino fundamental, primeiro, segundo grau. Graduação, pós, mestrado, doutorado... Quantos títulos são indispensáveis a formação humana? Quantos doutores são necessários para ensinar uma pessoa a ser humana? Doutor psicólogo (estudioso da mente), doutor sociólogo (estudioso da sociedade)  ou talvez o doutor médico, especializado no órgão cardíaco (entendedor do sentimento humano?). Hipócritas! Sepulcros caiados, diria o Mestre nazareno. Ricamente ornamentados  por fora com suas intelectualidades e vazios ou podres por dentro.
     O mero acúmulo de conteúdo livresco, por maior que seja, parece, sempre precário quando objetiva a humanização das pessoas: a consciência e consequente valorização de si e do outro. A professora leiga, Juvany Viana ilustra essa ideia magistralmente. Como e onde obter as habilidades e disposições internas que permitem-na um êxito tão grandioso apesar de todas as dificuldades ameaçando seu trabalho? Não nas instituições oficiais do saber: escolas e universidades, podadoras da criatividade, iniciativa e força de vontade. Instituições cuja organização é elaborada para o deleite de seus dirigentes em detrimento da maioria de seus integrantes. Organização que cria nos entes organizados um sentimento de repulsa pela forma estabelecida, regulamentando uma lógica insensata.
     Soa-nos óbvio o ditado: " só se aprende a escrever, escrevendo". Contudo, por que seria menos evidente que só se aprende a ser gente, promovendo relações entre gente? Por que enxergar como única solução as leituras enclausuradas nos quartos, gabinetes e escritórios? Por que asfixiar dias inteiros em salas de aulas?
     As escolas pregam união e nos separam rigidamente em séries, notas, turnos, disciplinas, entre outras com pouca ou nenhuma chance de re-união (as leis deveriam servir aos homens e não os homens às leis). As escolas pregam cidadania, mas seus alunos são sistematicamente excluídos dos processos decisórios. As escolas pregam inclusão e expulsam todos os "alunos-problema" ou são indiferentes a eles com sua política de não reprovação. As escolas vivem uma mentira conveniente, fingindo um papel que não exercem e exigindo uma convicção que não têm. O exemplo é o fundamento de uma cobrança consistente sem o qual restam apenas hipocrisias, no mínimo, contestáveis.
     Generalizações a parte, encontramos pessoas e até instituições sinceras consigo mesmas e convictas da viabilidade de seus sonhos. Juvany nos dá uma receita aparentemente subjetiva, porém com efeitos muito mais palpáveis que o rigor sintático dos nossos regimentos poderiam produzir: o amor.
     O amor a faz levantar quatro horas da manhã para garantir a preparação da merenda. O amor permite satisfação em ambientes insatisfatórios: aulas embaixo de um coqueiro com assentos feitos de tábuas e latas. O mesmo amor impele a gastar o pouco dinheiro ganho na compra dos materiais escolares para os estudantes. O amor a impede de esmorecer diante das dificuldades em Matemática e da ausência de uma pessoa capaz de assisti-la. Um amor lento nas recompensas materiais ( vinte anos para construção do sonhado prédio), mas pródigo em demonstrações de carinho por aqueles que são os principais beneficiados: os estudantes.
     Juvany é convicta da importância do seu trabalho, coerente nas suas ações quando confrontadas com seu discurso, transmitindo uma sinceridade contagiante. Ela vive uma verdade, manifestada na construção conjunta de uma realidade que ela acredita ser possível criar.
     O ser humano é um observador por excelência. Não passivo, mas ativo, concentrado, reflexivo, reinterpretativo, reformulador da realidade a partir dos variados pontos de vista, capazes de gerar novas vistas em diferentes pontos. A vida é a escola do Ser integral e seus grandes doutores são aqueles que simplesmente são (a simplicidade é o máximo da sofisticação). São amorosos, criativos, comunicativos, divertidos, desapegados...
     Observar é uma das formas de aprender. Tentar imitar é um modo de resignificar as práticas de outrem, adequando a sua realidade. A capacidade de amar sempre mais é a prova do aprendizado. O amor recebido transforma-se no melhor dos diplomas, porque ser professor é amar observar o aprender contínuo do outro. Aprender a amar é aprender a Ser e quem aprende a Ser esta sempre disposto a aprender com tudo e com todos.
     Portanto, aprendamos com Juvany e com milhares de outros doutores anônimos, necessitados apenas, de uma observação atenta de nossa parte.Quantos holofotes em torno de estrelas apagadas, enquanto sóis de primeira grandeza brilham despercebidos!

Até o próximo post!